Tricampeãs e ainda com fome: o Benfica quer quatro finais no basquetebol feminino

Tricampeãs. Três anos seguidos no topo do basquetebol feminino português não dão direito a descanso, dão direito a mais responsabilidade. É essa a lógica que se instalou no Seixal com o arranque da pré-época, uma fase que serviu, antes de mais, para construir algo que não se compra no mercado: identidade de grupo.
O plantel foi renovado, cara nova, dinâmicas novas, e é aqui que entra o primeiro grande desafio de Ricardo Vasconcelos. O treinador estreia-se a comandar esta equipa numa temporada inteira, e a fasquia que herdou não é pequena. Tricampeãs nacionais não se tornam campeãs outra vez por inércia, tornam-se por trabalho, e o trabalho começou precisamente pelos alicerces, pela química dentro do balneário antes de qualquer bola tocar no cesto a sério.
A ambição do clube está definida sem rodeios, quatro finais nas competições nacionais. Não é um número atirado ao acaso, é a fasquia que separa uma boa temporada de uma temporada histórica. Ganhar campeonatos é uma coisa, chegar a todas as finais possíveis é outra, e é aí que o Benfica quer deixar a marca esta época.
Há ainda a vertente europeia, onde o discurso é de progressão. Não se fala em conquistar a Europa de imediato, fala se em melhorar a prestação, e essa honestidade diz muito sobre o momento da equipa. Subir um degrau de cada vez, sem promessas exageradas, é normalmente o caminho mais seguro para quem quer chegar longe e ficar por lá.
Com uma base tricampeã, um treinador a começar do zero num projeto que já tem historial de sucesso, e objetivos claros escritos em letras grandes, o basquetebol feminino encarniçado de vermelho entra nesta temporada a saber exatamente o que quer. Falta agora provar, jogo a jogo, que a ambição de agosto aguenta o desgaste de uma época inteira.

