— Qual a importância de poder vir a ser o presidente do primeiro tetra?
— A importância é para o Benfica e para os benfiquistas porque é fazer história. O que para um clube desta dimensão é obra. Para o presidente é uma colheita das sementeiras que temos feito. Para colher há que ter semeado antes. Alguns acham que pode haver resultados sem trabalho. A realidade desmente todos os dias essa visão. A acontecer, o tetra consolida percorrer o padrão desportivo do Benfica. Ganhador e com um projeto de olhos postos no futuro com aposta numa escola com a sua própria identidade e numa formação em permanente evolução.

— Há quem diga que o Benfica deixará de ter necessidade de vender jogadores para equilibrar a balança financeira. Quando estima que surja esse equilíbrio?
— Nunca afirmámos isso, pelo contrário. Num contexto de concorrência nacional, até talvez seja possível no curto prazo, mas numa vertente de concorrência europeia, isso não é possível. Para competirmos contra os melhores e maiores, temos de ter capacidade de atrair e reter atletas não só de elevados padrões desportivos, mas também económicos. Ora o mercado português não permite gerar receitas suficientes para pagar salários elevados. E por isso, precisamos de continuar a ganhar dinheiro com algumas transações de atletas.

— No inicio da época numa entrevista, anunciou desejar «baixar a dívida para 200 milhões de euros». Como o pretende fazer?
— Com um exigente e rigoroso controlo financeiro, sabendo que a Benfica SAD gera por ano uma receita já superior a 200 milhões de euros, o que conciliando comos resultados das equipas desportivas, valorização de ativos e com o sentido de oportunidade para potenciar a marca Benfica em Portugal e no Mundo, permite que ano após ano e de forma equilibrada se vá reduzindo o passivo, de maneira a atingir o objetivo de o baixar para o equivalente a um ano de faturação.

— Na última entrevista que deu à TVI disse, sobre a renegociação do contrato com a NOS: «Estamos felizes com o contrato que temos mas se tivermos de percorrer o caminho da clarificação de algumas das coisas combinadas vamos percorrê-lo.» O que mudou entretanto?
— Estamos a trabalhar em sintonia com o que dissemos.

— Mas é verdade que enviaram uma carta à NOS a contestar os valores tendo em conta o acordo assinado com o Sporting?
— É verdade que tem havido correspondência trocada entre as partes.

— Tem viajado com frequência para a China. Qual o objetivo?
— O de sempre. Reforçar a marca Benfica como referência desportiva global.

— Pode entrar um investidor chinês na SAD?
— Quando e se houver novidades, os benfiquistas saberão. Estas questões não se tratam na praça pública. De uma coisa podem os benfiquistas e os investidores estar certos: a relevância do nosso passado, do caminho percorrido e dos resultados alcançados e a nossa estabilidade, são ativos que nos permitem não precisarmos ou dependermos de um qualquer investidor em especial.

— Há uma real hipótese chinesa para o naming do Estádio da Luz?
— Quando e se houver novidades, os benfiquistas saberão.

— Como ficou a sua relação com Rui Gomes da Silva?
— Na mesma. Ótima. Somos amigos. O Rui contribuiu para o caminho que percorremos e continuará a contribuir. Tenho orgulho no seu contributo e ele continua entre nós.

— Como avalia o desempenho da Direção da FPF?
— Como corolário do trabalho dos clubes. Esta é a Federação Portuguesa de Futebol que, presidida com muita qualidade pelo Dr. Fernando Gomes, criou condições para que Portugal seja Campeão da Europa de futebol. O que conseguimos em França não caiu do céu. É o resultado do trabalho de uma liderança na FPF reconhecida internacionalmente e do extraordinário trabalho do selecionador nacional Fernando Santos.

— E o que pensa da Direção da Liga de Clubes?
— O resultado da soma dos clubes será tanto melhor quanto maior for a disponibilidade destes em não se constituírem em obstáculos à afirmação do futebol como fenómeno desportivo de massas com grande importância para a economia do País e para a afirmação dos clubes e do País. Partilhamos com a Liga de Clubes esse esforço de credibilização e de afirmação do futebol português, nem sempre concordando com tudo, mas sempre pautando as nossas intervenções com espírito crítico construtivo e respeitando os protagonistas e as instituições do futebol. Também aqui infelizmente, temos registado silêncios e várias velocidades da justiça, perante comportamentos e atitudes que nada têm contribuído para a credibilização do futebol, que ficaram sem a devida e adequada resposta da Liga de Clubes.


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