Luís Filipe Vieira: “O Hermes é um reforço, uma alternativa”

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— Nas suas mais recentes intervenções tem vindo a apelar a uma maior moderação. Porquê?
— É necessário defender o prestígio do futebol português. Um prestígio reconhecido internacionalmente! Chega a ser chocante ver alguns protagonistas quererem, a todo o custo, manchar a nossa imagem, até lá fora. Portugal tem muitos dirigentes de qualidade reconhecida, tem muitos treinadores de excelência e jogadores de topo, que vão desde o Ronaldo até às mais recentes descobertas de jovens já com classe mundial. Perante este quadro, procurar denegrir este trabalho e esta indústria não faz qualquer tipo de sentido. O País orgulha-se do trabalho que os clubes e as seleções têm feito. Querer manchar todos os dias este mundo só por necessidade de sobrevivência é absurdo e destrutivo. Pelo contrário, construtivo é contribuir com propostas concretas e dar o exemplo com as suas atitudes.

— Rui Vitória tem mais ano e meio de contrato. A renovação já está em marcha?
— A satisfação pelo trabalho realizado e pelos resultados conquistados tem sempre futuro.

— Pressentia que o treinador conseguisse tanto sucesso logo na primeira época de Benfica?
— Não foi pressentimento, foi convicção a partir da personalidade, humildade e capacidade de trabalho em sintonia com o projeto desportivo e de gestão do Benfica, que encontrei desde a primeira hora em Rui Vitória.

— Como é a relação com o treinador, de cumplicidade ou simplesmente profissional?
— Somos amigos. A sintonia e a partilha de objetivos em favor de uma instituição com a relevância do Sport Lisboa e Benfica só é possível quando existe disponibilidade para deixar os egos de parte. Só a cumplicidade consegue superar as dificuldades e os obstáculos que são colocados. O Rui é uma excelente pessoa, um grande treinador, um senhor do futebol que se distingue pelo trabalho, pela atitude e pelos resultados. E no início a forma como soube afirmar-se, foi desde logo a melhor demonstração da boa escolha que fizemos.

— A reformulação do departamento clínico está em estudo? Houve várias reuniões no início da época para perceber o problema de tantas lesões em simultâneo. A que conclusões chegaram?
— Confiamos totalmente na nossa estrutura e equipa médica. Que ano após ano têm dado uma cabal resposta. A verdade é que com ou sem lesões, e temos que analisar e diferenciar caso a caso o que se passou, era impossível estar em melhor situação na tabela classificativa. No fundo se algo, sobressaiu nesta fase, foi o mérito da gestão dos recursos do plantel por parte da nossa equipa técnica.

— Que se passou realmente com a lesão de Jonas: operado a 11 de agosto, voltou a jogar 15 dias depois (na Madeira) e de seguida parou e só regressou agora?
— O Jonas regressou e bem. As lesões são como as pessoas, não são todas iguais e algumas precisam de mais tempo do que outras. O caso do Jonas infelizmente pode acontecer a qualquer um de nós. Agora, felizmente essa questão foi ultrapassada e para alegria de todos os que gostam do futebol, Jonas aí está de novo.

— E quanto a renovações de jogadores? Ederson, Lisandro López…
— O Benfica cuida bem dos seus ativos e assim continuará. Defender os interesses do Benfica e dar confiança e estabilidade aos atletas faz parte da nossa forma de funcionar. Pela sua qualidade, é natural que exista sempre muito interesse pelos jogadores do Benfica. É uma questão natural nesta casa. Agora cada coisa a seu tempo.

— Luisão está no último ano de contrato. Vai renovar?
— O Luisão foi, é e será sempre uma referência no Sport Lisboa e Benfica. Tem sido o meu companheiro e amigo desta caminhada. E existe uma perfeita sintonia entre nós. Neste momento, essa é uma não questão porque Luisão é um símbolo do nosso clube.

— Esperava que Luisão continuasse a ter tanta influência na equipa como tem apresentado?
— Luisão mantém a mesma influência hoje como no passado. As referências com a experiência ainda contam mais.

— Jardel foi o jogador mais utilizado no Benfica em 2015 /16. Esta época tem somente 270 minutos. Isto teve a ver com problemas físicos ou jogador ficou aborrecido por não ter sido transferido no verão?
— Os profissionais como o Jardel não se condicionam por estados de alma. Jardel está de regresso e é mais um para atacarmos o que falta para a conquista do ambicionado tetra.

— Perspetiva alguma venda importante para janeiro? Fala-se em Lindelof, Grimaldo, Nélson Semedo, Ederson, Gonçalo Guedes?
— Nunca fechamos os olhas a uma boa oportunidade de mercado que conjugue a defesa do interesse do Benfica com a vontade do atleta.

— Há propostas para saídas em cima da mesa?
—As nossas mesas são sempre muito diversificadas e dinâmicas.

— Lindelof está ou não negociado para sair já?
— O Lindelof é jogador do Benfica, com contrato e cláusula de rescisão. Vamos esperar.

— Ederson tem sido seguido pelo Manchester City. Pondera perder o guarda-redes?
— Já reparou que o tricampeão nacional entrou na nova época com poucas vendas? Nas perguntas que me fez já vendeu mais de metade da equipa, quando o treinador até agora, não teve disponíveis muitos jogadores. Neste momento não estamos disponíveis para vender mais nenhum jogador, exceto como é óbvio, caso surja uma proposta que sirva os interesses do Benfica e do atleta de forma inequívoca.

— Qual é o jogador de quem mais se orgulha neste plantel?
— Todos os que, com profissionalismo e amor ao Benfica, têm dado um contributo para chegarmos onde chegámos.

— Hermes, lateral esquerdo que chega nos próximos dias, pode ser o sucessor de Grimaldo?
— O Hermes é um reforço, uma alternativa, se não fosse para somar não vinha para o clube.

— Prevê-se mais alguma contratação neste mercado de inverno? Fala-se em Seferovic…
— Não temos necessidade de comprar, mas nunca fechamos os olhos a uma boa oportunidade de mercado.

— Houve algum jogador que Rui Vitória tenha pedido que não tenha conseguido contratar?
— Estamos sintonizados com o treinador. As coisas não funcionam assim, entre partes, somos uma unidade. É por isso que não nos dividem e as coisas correm bem.

— Como avalia o rendimento de Carrillo esta época? Confirma que houve propostas para o poder vender no verão?
— Quantas vezes chegaram jogadores ao Benfica que não explodiram de imediato? O Carrillo é um bom jogador. Mais tarde ou mais cedo vai voltar a demonstrá-lo.

— Zivkovic foi contratado como grande promessa do futebol sérvio mas ainda não apareceu na equipa. Esperava mais dele?
— O Zivkovic é um talentoso jovem internacional que nos irá dar muitas alegrias.

— Como resolver a situação de Taarabt? E de Bilal Ould-Chikh?
— Como fizemos com outros no passado, resolvendo-os. Só quem não tem de decidir é que não corre riscos.

— Danilo está por empréstimo. Equaciona a aquisição do passe?
— Danilo é um bom jogador mas essa avaliação será feita no momento oportuno.

— Dortmund é o adversário na Liga dos Campeões. Até onde acha que pode ir este Benfica nesta prova?
— Atingimos o primeiro objetivo que foi superar a fase de grupos. Mas a nossa ambição é a de sempre. Ir o mais longe possível e entrar para ganhar sempre. E são vitórias importantes, tanto para o Benfica como para Portugal, que precisa de pontos para manter a sua posição no ranking da UEFA.

— Há muito que ambiciona levar o Benfica a uma final da Champions. Este plantel tem potencial para isso?
— Não falta ambição nem engenho a um plantel que, com várias lesões, consegue chegar a este momento na liderança do Campeonato, na Taça de Portugal, na Taça da Liga e nos oitavos de final da Liga dos Campeões…

«Nas modalidades estamos satisfeitos mas queremos mais»

— Está satisfeito com o rendimento desportivo de modalidades como o basquetebol, o voleibol e o andebol?
— Globalmente é bastante positivo o balanço que faço das modalidades, não esquecendo que ganhar é sempre o objetivo do Benfica. Foi um ano marcado pela presença em cerca de uma dezena de supertaças, temos o Benfica a lutar na Europa nas mais diversas modalidades, desde o basquete, vólei, hóquei entre outras, e tivemos a maior delegação de atletas do clube em Jogos Olímpicos. Estamos satisfeitos com o trabalho e a entrega dos dirigentes, dos treinadores e dos atletas, mas nesta casa queremos sempre mais. Agora também aqui repetimos a máxima, apostar na formação.

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