Nas redes sociais alguns benfiquistas e outras pessoas que seguem, atentamente, o futebol português opinaram sobre uma alegada responsabilidade de Andreia Couto na divulgação de informação confidencial relativa a contratos do Benfica. O assunto requer prudência. E não é o facto de ser portista que se traduz em chancela do que quer que seja, neste caso. Se é verdade que Andreia Couto, desde o início do mandato de Pedro Proença, estava arredada de funções relevantes, então não será Andreia Couto responsável por todas as trapalhadas em que o organismo se vê envolvido.

Em primeiro lugar, Andreia Couto não fez uma carreira marcada por sucessivas decisões erradas prejudiciais ao Benfica. Na maior crise de sempre sobre suspeições no futebol português, não foi Andreia Couto que geriu, parcialmente, os silêncios após a evidência de crimes informáticos que lesaram o Benfica. Não terá sido Andreia Couto que validou a vergonha imensa que foi o Estoril – FC Porto da época passada. Nem terá sido Andreia Couto que terá conformado ou contribuído para a parcialidade do funcionamento da Comissão de Instrutores, que culminou, entre vários episódios, na lamentável tentativa de interdição do Estádio da Luz durante um Benfica – FC Porto. Não foi Andreia Couto que difundiu comunicados a validar declarações parciais e ofensivas que uma diretora executiva da Liga, que foi ou é advogada de Pedro Proença, dirigiu contra o Benfica. Não é, pois, a Andreia Couto que se pode apontar o dedo pela total incapacidade de mediar tensões e contribuir para uma pacificação necessária, assente em práticas éticas. Não foi Andreia Couto que realizou despesa numa auditoria com a única finalidade de declarar que os contratos do Benfica não tinham sido obtidos na Liga, quando afinal podem ter sido! Não é Andreia Couto que escreve semanalmente num órgão de comunicação, alinhado com o FC Porto, com postulados anti-Benfica. Não é a “suma” incompetência de Andreia Couto que contribui para a falta de transparência verificada no sorteio da Liga NOS em Agosto deste ano, com prejuízo para o Benfica e benefício para o FC Porto.

Quem garante que o processo disciplinar iniciado com alegadas ofensas, ao que seja a honra e dignidade do presidente da Liga não é, afinal, um alibi conveniente para branquear a responsabilidade da Liga em práticas ilícitas de subtração de dados confidenciais, imputando-as a uma pessoa estacionada na prateleira, servindo de garantia de continuidade das mesmas e, simultaneamente, perturbando uma investigação? Existindo um inquérito criminal sobre tais práticas, quem está sob investigação: a Liga ou Andreia Couto?

Não conheço pessoalmente Andreia Couto, mas registo uma grande diferença na sua intervenção, relativamente às pessoas que representam a Liga: fala abertamente sobre os temas, submete-se ao escrutínio, não se esconde…