RECORD – Foi discreto no Sporting, vai expor-se mais agora?

LUÍS BERNARDO – Somos uma vasta equipa e o diretor de comunicação exerce a sua função. Dentro do que foi combinado com o presidente, sempre que for necessário assumirei a palavra na defesa dos interesses do Benfica. Que não haja dúvidas em relação a isso. Darei a cara, doa a quem doer. O nosso foco é na afirmação do Benfica em Portugal e a nível internacional, que será, aliás, uma das grandes apostas. Está a ser montada uma estratégia no sentido de dar um salto qualitativo permanente na área da inovação e da modernidade da comunicação do Benfica. Definimos as plataformas e os instrumentos por onde vai passar essa aposta, em grande parte pelas redes digitais.

R – A maioria das vezes quando falamos da comunicação referimo-nos ao confronto com os rivais. O ano passado a resposta foi muitas vezes o silêncio…

LB – A responsabilidade da comunicação institucional do Benfica requer grande cuidado. Num momento em que queremos credibilizar, afirmar e projetar o futebol português como indústria, aproveitando até o título europeu, é fundamental que quem tem responsabilidades a nível dos clubes dê um bom exemplo. E dá-lo é contribuir para um clima saudável. Queremos projetar o que de bom é feito a nível do clube, dos jogadores, dos técnicos. Se falarmos do futebol, é altura de promover uma mudança clara. As principais figuras a promover devem ser os jogadores e os técnicos, e realçar-se o trabalho de formação. Aliás, pela experiência que tenho, constato que o profissionalismo com que se trabalha nos clubes é muito superior à média de outros sectores de atividade portuguesa.

R – Haverá outras questões que são levadas para a praça pública…

LB – Temos de separar os planos. Em relação à dinâmica permanente de disputa do contraditório, deve ser para outros atores, ou seja comentadores e jornalistas. Um trabalho que entendo e respeito. O ano passado fui criticado por alguns comentadores e nunca vim defender-me, pois há que distinguir os patamares de intervenção. Qual a nossa estratégia? Valorizar o que de positivo é feito. Isso é que é essencial. Quando for necessário algo mais, lá estarei.

R – Nuno Saraiva, diretor de comunicação do Sporting, manifesta-se ativo nas redes. Vai reagir?

LB – Só o vejo a falar do Benfica. Nada tenho a comentar.

R – Como se gere comunicação num mundo de tantas paixões?

LB – É fundamental ter um projeto, uma liderança e um rumo claro. A comunicação faz parte do processo de decisão. É um elemento importante, mas não tanto como às vezes se quer fazer crer. Numa casa onde há um património com esta riqueza, um trabalho notável de recuperação e crescimento, um presente ganhador e afirmativo e uma perspetiva de futuro com uma clara definição do projeto Benfica, é evidente que a comunicação tem a sua tarefa facilitada. Fica-se mais livre da pequena discussão, da pequena intriga, do pequeno ataque do dia-a-dia.

R – Recorrerá ao… ‘jogo sujo’?

LB – O Benfica, pela sua grandeza, está num patamar institucional único. Não precisa de colocar-se em bicos de pés, nem de viver de ilusões de expectativas de futuro muito difíceis de concretizar, ou só falar de passados gloriosos. O Benfica, pelo que representa no país, tem de dar o exemplo.

R – Bruno de Carvalho disse recentemente que um título é determinado percentualmente em partes iguais por jogadores, treinador, arbitragem e disciplina e comunicação social. Tem essa perceção?

LB – Discordo completamente, mas não comento.

R – Tem um passado muito ligado à política. Já com um ano de experiência no futebol, qual a área mais exigente e desgastante?

LB – O meu partido agora é o… Benfica [risos]. São áreas muito diferentes mas têm pontos em comum, a nível de modelo organizativo de planificação, de mediatismo, da preocupação em falar para diferentes públicos-alvos. No futebol junta-se muito a emoção, às vezes um fanatismo exacerbado, o que pode levar a que as reações não sejam as mais racionais. O que felizmente não acontece num clube que está bem com ele próprio, como o Benfica, em que a sua projeção não passa por obsessões doentias em relação aos rivais, nem se tem complexos de inferioridade. É um trabalho muito construtivo. Agora a exigência e o desgaste são muito equivalentes.