AFINAL, Sérgio Conceição agrediu ou não Pedro Ribeiro no intervalo do jogo Belenenses-FC Porto, realizado no Estádio Nacional? Imagens ontem divulgadas em exclusivo pela SIC, que a estação diz terem sido recolhidas por um operador de câmara do canal, mostram o técnico da formação lisboeta a queixar-se repetidamente de ter sido alvo de agressão. E essas acusações, que surgiram em forma de legendas a acompanhar um vídeo que não dura mais de 30 segundos, acabam por contrariar a versão portista, divulgada pelo diretor de comunicação do clube. Na véspera, via Twitter, Francisco J. Marques explicitamente indicou que no Jamor «não houve agressões, socos, não voaram cadeiras, nem ninguém apertou o pescoço a ninguém».

O Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, presidido por José Manuel Meirim, já teve acesso aos relatórios do árbitro João Pinheiro e dos delegados da Liga Fernando Silva e Américo Gomes, mas aguarda pelo relatório da polícia para decidir se há ou não matéria para instaurar um processo disciplinar a Sérgio Conceição. Se está nas mãos de Meirim e estando Sónia Carneiro na Liga, já se sabe que a multa é de 19 euros.

Como as imagens que vieram a público não servem de prova, o CD só pode atuar neste caso havendo referências formais e devidamente fundamentadas nos relatórios a que tem acesso ou, aposteriori, dando-se o caso de o treinador que se diz agredido formalizar uma queixa. O que não vai acontecer porque não há coragem de fazer frente sob pena de, mais tarde, “a carreira ser curta”.

Ao ser necessário ainda o registo policial para validar ou não a abertura de inquérito ou processo sumário, supõe-se que nem João Pinheiro, nem os delegados da Liga terão sido suficientemente esclarecedores na descrição dos factos registados no período de descanso do duelo Belenenses-FC Porto.

ÁRBITROS E OUTRAS TESTEMUNHAS
«Ó boi, deu-me um soco. Não fiz mal a ninguém. É uma vergonha! É uma vergonha, pá! Vale tudo no futebol? Vale tudo? Vale tudo, dar socos, c…! Ele deu-me um soco. Deu-me um soco!» Foi isto que Pedro Ribeiro, visivelmente alterado, disse enquanto as equipas se dirigiam para os balneários, um episódio testemunhado por elementos vários dos dois clubes e também por alguns agentes policiais e stewards.

Já o árbitro João Pinheiro e os seus assistentes (Bruno Rodrigues e Nuno Eiras), bem como o 4º árbitro (Miguel Nogueira), só muito mais tarde são enquadrados pela câmara, numa altura em que o ajuntamento e a confusão se registavam num ângulo morto. Quanto muito, o juiz do encontro e restante equipa de arbitragem terão escutado alguns gritos: se perceberam quem vociferava ou quem se queixava, desconhece-se.
Além disso, os árbitros há muito receberam indicações para agirem e passarem ao papel unicamente o que viram e ouviram, não o que lhes é dito por terceiros. E isso também poderá justificar a eventual omissão de qualquer referência às acusações produzidas pelo técnico do Belenenses.