Fomos alcançados na classificação pelos portugueses, que nem sequer deveriam estar à altura de atar os atacadores das nossas chuteiras”
Esta frase foi publicada no La Gazzeta dello Sport, o diário desportivo de maior tiragem em Itália.

É isto que se vai jogar na quinta feira. Mais do que um Juventus-Benfica, joga-se o ranking UEFA. O ranking que determina o número de clubes com acesso às competições europeias, as entradas directas na Liga dos Campeões e consequentemente o acesso aos milhões de euros em transmissões televisivas.

Numa Itália com a maioria dos clubes descapitalizados e sedentos de dinheiro, faz muita “espécie” que um país tão pequeno como Portugal e com tão pouca preponderância nas altas esferas FIFA/UEFA tenha neste momento 0,455 pontos de vantagem. A confirmar-se a passagem do Benfica à final da Liga Europa, Portugal confirmará a subida no ranking em deterimento da …Itália.
Pois.

Que confusão que isto faz… E ainda faz mais confusão quando são muitos milhões de euros em jogo, ordenados inteiros de planteis milionários, empréstimos sobre empréstimos e hipotecas caducas de dezenas de clubes italianos dependentes de um patardão do Lima, uma cabeçada do Garay, ou uma revienga do Enzo Pérez.

Concerteza que isto os aborrece. Irrita mesmo. Irrita como é possível clubes feitos com menos de metade dos orçamentos dos habituais finalistas das competições europeias, atingirem constantemente fases finais das provas.
Porto e Benfica praticamente todos os anos. Antes, e agora finalmente de volta o Sporting. Um Braga na final da Liga Europa..Um Boavista, que encavou o Inter na Liga dos Campeões.. E agora até o Estoril Praia!?? Como é que é possível?

E deve chatear como o caraças que todos os anos se “fabriquem” miúdos de craveira mundial. Miúdos que aos 20 anos, têm meia europa atrás deles com cláusulas de milhões prontas a serem batidas por clubes cheios de centros tecnológicos e scouts espalhados pelo mundo fora. Mega estruturas e profissionais reputadissimos regiamente pagos, a babarem por mais uma pérola made in Portugal.

Tudo isto irrita. Irrita a Federação Italiana, irrita a UEFA, e irrita o Senhor Platini.

Na quinta feira não é apenas o Benfica a entrar em campo. É toda a competência, esforço, brio e orgulho no trabalho de um país. Um país habituado a fazer MUITO com pouco ou nada. Que se esforça diariamente, que se reinventa e que contra todas as probabilidades se tornou uma referência mundial no desporto número um do planeta.

Um país que está farto de ser roubado.

Na quinta feira, com ou sem jogadores afastados por jogos de bastidores, com ou sem árbitros caseiros, com ou sem a aprovação dos donos dos direitos televisivos… rapazes, entrem em campo de faca nos dentes!

Texto de : Marcos Gil Gomes