Que grande exibição da nossa equipa na passada sexta-feira no Bessa, frente a um Boavista que entrara na jornada enquanto quinto classificado e tinha a terceira defesa menos batida do Campeonato (ainda não havia sofrido mais de um golo em qualquer das doze jornadas anteriores).

Desde o primeiro minuto, com humildade, ambição e, sobretudo, muita qualidade, a nossa equipa dominou o jogo conseguindo uma goleada, por 1-4, que representou na perfeição a sua superioridade em campo. Desde 1976 que não marcávamos quatro golos ao Boavista no Bessa.

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Mais uma vitória, a 12.ª em 13 jornadas, e o reforço da liderança isolada para quatro pontos, tendo em conta o empate portista no Jamor frente ao Belenenses, SAD. O Benfica continua com o melhor ataque (Vinícius, com 10 golos, e Pizzi, com 9, são os melhores marcadores da prova) e a melhor defesa do Campeonato (o nosso melhor desempenho nas últimas 29 temporadas).

Saliente-se ainda que esta vitória no Bessa foi a 15.ª consecutiva em deslocações no campeonato, igualando o segundo melhor registo da história do Benfica. E também o facto desta série notável de triunfos ter sido alcançada desde que Bruno Lage assumiu o comando técnico da equipa, ou seja, praticamente no início de 2019.

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Mas hoje temos mesmo que, excecionalmente, não falar apenas em nós.

É que nunca, como nesta jornada, foi tão evidente a pressão exercida sobre as equipas de arbitragem de quem anseia desesperadamente por um regresso a um passado de triste memória.

Dizer que só os burros e os estúpidos falam de arbitragem era toda a divisa de quem se habituou a decidir nomeações, a premiar com viagens e fruta os mais fiéis servidores e para quem o VAR só é bom, por exemplo, como aquele que existiu na famigerada meia-final da Taça da Liga da época passada.

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No jogo que ficou marcado como um dos momentos mais negros do futebol português, ninguém ouviu o presidente e o treinador do FC Porto falarem do VAR, quando todos assistimos à falta sobre Gabriel que deu o primeiro golo ao FC Porto, à carga de Marega a anteceder o segundo golo ou à incrível anulação do golo do Benfica por um fora de jogo fantasma que daria o 2-2. Aí o VAR era exemplar e bom.

Ou sobre todos os erros de arbitragem que permitiram que, na época passada, o FC Porto beneficiasse de mais dez pontos do que deveria ou, já este ano, dos erros que lhes trouxe vantagens nos jogos com V. Guimarães, Santa Clara e Portimonense.

A pressão exercida nesta jornada antes, durante e após os jogos, está em linha com a célebre invasão do centro de treinos de árbitros, as ameaças sobre a progressão das suas carreiras, seus bens e seus familiares, o uso de material resultante do cibercrime para, deturpando-o, criar uma ficção, de quem, ano após ano, procura, através desta estratégia, compensar sucessivos insucessos desportivos e tapar os olhos aos seus associados sobre como foi possível chegar ao ponto de estar sob intervenção da UEFA e só ganhar um Campeonato e uma Supertaça nos últimos seis anos em 24 títulos e troféus possíveis.

Depois do presidente do FC Porto, agora é Pinto da Costa a criticar o VAR. E criticou estes lances?

O discurso do ódio, de levantamento de suspeitas contra tudo e contra todos, o querer responsabilizar sempre os outros pelas suas próprias falhas e pelos jogos menos conseguidos que naturalmente todas as equipas têm, em conjunto com a arrogância de quem, na época passada, com a vantagem adquirida já se assumia campeão, ou mesmo nesta já se gaba do mesmo, é o melhor exemplo para nós sabermos que, apesar da pequena vantagem obtida, nada, mas mesmo nada, está ganho e, até por experiência própria, ainda falta muito, mas muito, campeonato.

E falamos com a autoridade de quem na única derrota que sofreu até agora no Campeonato não ter tido problemas em reconhecer o mérito, por essa vitória, ao FC Porto, sem inventar desculpas e subterfúgios.

Da nossa parte fica o compromisso de, com humildade, muito trabalho, união e foco em nós, procurarmos continuar a obter os resultados e os títulos que todos desejamos. #PeloBenfica