Depois de ter concorrido à Câmara Municipal de Lisboa, com a sua panóplia de ideias, e de ter obtido a representatividade de 0,59%, o que se traduz num valente pontapé no rabo, Joana Amaral Dias volta a ser notícia nacional ao pedir, ardentemente, a extinção do Benfica, perdão da Benfica SAD.

Notável! Desceu ao arrabalde que é aquele programa de televisão para voltar a ser representativa de algo: do preconceito ignorante que tanto condenava. Já não me recordo, ao certo, de uma ideia útil, própria, frutífera, de Joana Amaral Dias sobre a vida em sociedade. Recordo-me de se fotografar, nua, encoberta parcialmente pelos próprios braços, destapando a barriga para anunciar: “É menina. Oxalá seja mulher com liberdade”. Como pai também formulo um desejo – oxalá as meninas portuguesas saibam fundamentar o que dizem, com equilíbrio e lucidez sem necessidade de se exporem tanto. É meio caminho andado para serem livres de estereótipos e de pensamento. Já Joana Amaral Dias comunica com tudo o que tem. Assim se notabiliza. Puro marketing, com o conforto de ser protagonizado por uma psicóloga. Pelo meio ainda é capaz de arranjar material de estudo. Nada se perde. Melhor, perde-se paciência.

https://youtu.be/ERj6rUWIxXM?t=1h42m47s

Quando voltamos a pôr os olhos em cima da sua figura, agora vestida, vemo-la balbuciar uma cartilha, sem qualquer nexo lógico ou jurídico. Então extingue-se uma sociedade anónima desportiva por alegados crimes relacionados com a violação do segredo de justiça…!? Em Portugal…!? Então, o que faria Joana Amaral Dias às sociedades de meios de comunicação, incluindo aquela com que se relaciona? Ou especialmente essa, aliás! Extinguia-se, também!? E à FC Porto SAD, no que concerne à sua responsabilidade pela prática de alegados crimes informáticos e devassa da vida privada? Práticas já reconhecidas em Acórdão do Tribunal da Relação do Porto. Leva com esse carimbo? E, já agora, o que acontece às procuradorias Gerais Distritais e aos Tribunais, de onde provêm os delitos? Arrasamos com isto tudo à procura da fonte do segredo de justiça perdido? E a própria Joana Amaral Dias, estaria a debitar a tramitação de algum processo, ou queria apenas ser engraçada e original, como na foto da “menina”?

No plano dos conceitos, Joana Amaral Dias não percebe nada disto! Acontece muito aos generalistas. É capaz de debitar sobre criminalidade e direito desportivo, como fala de educação, de Paridade, de Habitação ou Transportes. Foi, mais ou menos isto a sua campanha eleitoral em Lisboa, em 2017. Fez-se entender e de que maneira.

A quem isto possa interessar, aos amigos benfiquistas, fiquem sabendo que é impossível, juridicamente, extinguir a Sport Lisboa e Benfica SAD com os argumentos da Joana Amaral Dias, pelos simples motivos de que a nossa SAD não foi criada, exclusiva ou predominantemente, para praticar crimes (a menos que seja inventado o crime de ganhar títulos ao FC Porto), nem tem a prática reiterada de tais alegados crimes, nem é utilizada, predominantemente, para praticar os ditos, em beneficio de quem a lidera. Chega de conversa sobre um dos maiores disparates que ouvi.

Caro André Ventura, levantava-me e abandonava aquele programa na hora! Não sei se não é caso para nunca mais lá por os pés.
A figura a que Joana Amaral Dias ontem se predispôs aproveita-nos, contudo, para perceber que é isto que certos meios institucionais pretendem; é para isto que trabalham e se organizam.
Permitam-me, ainda, outra observação, longe vão os tempos em que as vestais da crença azul e branca eram a “Anabela da Ribeira”, a dar o corpo ao manifesto em frente à bancada central do estádio D. Afonso Henriques, ou a Carolina Salgado, em confissões. Isso não foi chão que deu uvas, infelizmente, mas foi semeadura para livros e filmes que retratam o clube de Joana Amaral Dias. É essa imagem que se pretende apagar? Substituindo representantes, umas por Joana Amaral Dias; reformando o Guarda Abel, com a entrada ao serviço de Miguel Guedes, ou silenciando o mais engraçado de todos, Pôncio Monteiro, em prol da prosa arrastada, inspirada e inalada de Miguel Sousa Tavares. É um “rebrand”.

Com uma raspadela percebe-se que o método de sempre está lá… A Benfica SAD é uma empregadora de referência neste País, tem responsabilidades e direitos, tem uma imagem a defender. Espero que o faça.